As vivências tornam-nos mais consciêntes e o futuro está do outro lado do oceano, no hemisfério Sul.

No tenso ano de 1973 no Chile, aquando dos três anos de governo comunista - o único democráticamente eleito - decorre uma história de amizade de duas crianças de mundos opostos, uma de um bairro rico de Santiago e outra de um bairro pobre.
Em parte com este filme (Machuca, 2004) Andrés Wood pretende retratar um acontecimento que ele mesmo viveu aquando estudante no colégio inglês de Santiago - o padre reitor, com o apoio existe pelas medidas socialistas de Allende, decidiu introduzir, nesse colégio de elites, alguns jovens dos bairro mais pobres da capital chilena. Foi desta forma que Gonzalo Infante e Pedro Machuca se conheceram e iniciaram um grande amizade apesar das diferenças sociais existentes entre os dois. Gonzalo era um dos melhores alunos do colégio e era constantemente perseguido pelo seu colega de carteira, por esse motivo, todavia, com a chegada de Pedro, o lugar passou a ser ocupado pelo novo amigo, e juntos tornaram-se mais fortes e capazes de enfrentar o "chato" colega. Com Machuca a vida de Gonzalo tornou-se mais divertida, conheceu o seu bairro, a sua, prima, e juntos formaram um triângulo das primeiras descobertas amorosas. O menino rico apercebeu-se que apesar da falta de riqueza o mundo do seu amigo era muito mais feliz, ao contrário do seu onde apesar das aparências tinha um pai distante, uma mãe adultera e uma irmã de dezasseis anos que caminha pelo mesmo caminho com um namorado "rebelde" de extrema direita (factor de risco para Wood colocar esta família, num país que ainda hoje vive sob forte pendam da Igreja e dos valores católicos. Os dias mais divertidos de Gonzalo eram aqueles em que acompanhando Machuca, o tio, a prima, ia vender, tanto aos manifestantes de direita como aos de esquerda bandeiras dos diversos partidos - fazia-se imenso dinheiro. Os três jovens saltavam gritavam tanto palavras de ordem de esquerda como de direita, todavia foi numa dessas manifestaçoes que Gonzalo viu a sua mãe a discutir com a prima de Machuca, pela mesma altura e devido as "guerras" sociais no colégios, alguns pais exigiam a saída dos estudantes pobres... o golpe está próximo.
O filme termina de forma triste, Pinochet logra efectuar um golpe de estado Allende é morto e instala-se a ditadura militar no Chile, o colégio é ocupado por militares que retiram o padre reitor e colocam um major no seu lugar, alguns alunos são expulsos do colégio existe um clima evidente de tensão. Verificando a ausência do seu amigo, Gonzalo dirige-se ao bairro onde este vivia e verifica um rusga do exército e impressiona-se com a violência, mulheres com bebes são agredidas, homens são obrigados a comer a foto de Allende que tinham em casa e assiste ao assassínio da prima de Machuca; nesse momento os seus olhos fixam-se nos de Pedro, e um soldado aborda-o (tal como o pai de Machuca previra o amigo rico iria olvida-lo), Gonzalo disse: - eu não sou daqui olha para mim, - e o soldado viu um jovem loiro de olhos azuis e com ténis de marca.
O filme termina com uma imagem do local onde anteriormente vivia Machuca, o enorme bairro de lata dos subúrbios de Santiago era agora um deserto, por sua vez vemos Gonzalo chegara a uma casa maior. Assim termina o filme ao som de um mítico conjunto chileno dos anos 70, mais tarde exilados em França - Los Jaivas e a canção Mira Niñita.
