Borges - mais um filho perdido da diáspora lusa

O escritor argentino Jorge Luís Borges Azevedo é um exemplo da diluição paulatina de uma genialidade portuguesa, que vai sendo absorvida pelo mundo e deixa um país sem talento. A diáspora portuguesa dos descobrimentos, surgida numa época em que começavam a existir maneiras de adquirir prosperidade e sem saber sem ser pelo simples facto de ser nobre, acabou por actuar de forma Darwinesca no nosso país, isto é abriu as portas para uma selecção natural, selecção essa que acabou sempre por prejudicar o actual território continental europeu.
Por todo o mundo extra europeu por onde circulou o luso acabou por se fixar, triunfar e inexoravelmente misturar-se, olvidando assim a sua origem portuguesa. No pequeno rectângulo ficavam os mais subservientes e os temerosos, dominados por uma nobreza decadente com medo da evolução e da perda dos seus poderes. Depois veio a contemporaneidade e as classes finalmente terminaram, contudo e mesmo depois da integração europeia e a facilidade de circulação entre classes, os vícios permanecem e mantêm-se ainda uma grande diferença entre aquele que tem o poder e o subalterno, o trato, a deferência o Sr. Dr. Este processo torna-se ainda mais escandaloso quando ocorre nos meios universitários e de investigação, não se dão conta essas pessoas que com isso apenas se estão a considerar medíocres e classicistas – com pensamento equiparado a camponeses medievais e nobres decadentes de oitocentos.
Este Portugal que afecta os de dentro mas que passa a mensagem lá fora torna-se aborrecido e com vontade de ser esquecido, assim o fazem, não apenas os brasileiros, mas também outras famílias lusas espalhadas pelo mundo. Em terras de Magalhães fizeram-no a família Silva no Chile e a Carvallo (castelhanismo de Carvalho, árvore que no idioma de Cervantes teria o pomposo nome de Roble) na Argentina, cuja importância e riqueza só pode ser fruto de uma genética espanhola, vá lá basca, pela estranheza do nome.
Borges representa essa diáspora na perfeição é filho de mãe uruguaia de origem portuguesa, que tornando-se numa mulher abastada mudou o seu nome de Azevedo para Acevedo de modo a integrar-se melhor na alta sociedade rioplatense (eixo Montevideu-Buenos Aires-Rosário). Borges sempre assumiu a sua leve ascendência portuguesa que em parte contribuiu ainda mais para justificara a sua essência que para ela foi sempre europeia, pelo facto de ter passado muito tempo no centro do velho continente e também por ter apreendido a ler como primeiro idioma o inglês da sua avó e não o castelhano da sua Buenos Aires Natal. Contudo, e já no final da sua vida Borges voltou a ter uma surpresa lusa, e descobriu que, ao contrário do que sempre afirma sobre a banalidade espanhola do seu apelido este de facto tinha origem portuguesa, sendo o seu bisavô paterno proveniente de Torre de Moncorvo.
Resta assim, para consolo dos medíocres intelectuais lusos, o facto de Borges – provavelmente o melhor escritor ibero-americano do século XX – ter uma ascendência portuguesa, sublinho tanto do lado materno como paterno: o que torna mais importante a coisa.
Por todo o mundo extra europeu por onde circulou o luso acabou por se fixar, triunfar e inexoravelmente misturar-se, olvidando assim a sua origem portuguesa. No pequeno rectângulo ficavam os mais subservientes e os temerosos, dominados por uma nobreza decadente com medo da evolução e da perda dos seus poderes. Depois veio a contemporaneidade e as classes finalmente terminaram, contudo e mesmo depois da integração europeia e a facilidade de circulação entre classes, os vícios permanecem e mantêm-se ainda uma grande diferença entre aquele que tem o poder e o subalterno, o trato, a deferência o Sr. Dr. Este processo torna-se ainda mais escandaloso quando ocorre nos meios universitários e de investigação, não se dão conta essas pessoas que com isso apenas se estão a considerar medíocres e classicistas – com pensamento equiparado a camponeses medievais e nobres decadentes de oitocentos.
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1 Comments:
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